O juiz Edmundo Franca de Oliveira, da 2ª Auditoria do Rio, aceitou a denúncia contra os militares acusados de entregar três rapazes do morro da Providência a traficantes do Morro da Mineira, que os assassinaram, em 14 de junho. Eles foram acusados pela promotora Eliane Azevedo “de deixá-los para serem mortos conforme prometido pelos traficantes”.
Hoje, os 11 denunciados vão tomar ciência do processo. Assistirão ainda ao sorteio do Conselho Especial de Justiça, formado por oficiais de patente superior à do segundo tenente Vinícius Ghidetti, um dos principais acusados.
Ele responderá por quatro crimes, conforme o Código de Processo Militar: organização de grupo para prática de violência (de 4 a 8 anos de reclusão); aliciamento para motim ou revolta (2 a 4 anos); recusa de obediência (1 a 2 anos) e prevaricação (de 6 meses a 2 anos). As penas, que somam 16 anos, podem ser agravadas pelo fato de três pessoas terem morrido.
Os outros dez militares foram denunciados apenas pela organização de grupo para prática de violência. São eles: os terceiros sargentos Leandro Maia Bueno, Bruno Eduardo de Fatima e Renato de Oliveira Alves; o cabo Samuel de Souza Oliveira e os soldados Fabiano Eloi dos Santos, Júlio Almeida Ré, Sidney de Oliveira Barros, Rafael Cunha da Costa Sá, Eduardo Pereira de Oliveira e Jose Ricardo Rodrigues de Araújo.
Alves e Barros tiveram pedido de habeas-corpus negado ontem pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região. Nos depoimentos prestados à Polícia Civil e na Justiça Federal, em outro processo, por homicídio, os 11 réus sempre alegaram desconhecer que os traficantes matariam os jovens David da Silva, Wellington Gonzaga e Marcos Paulo Rodrigues Campos.
Ghidetti explicou que pretendia apenas “aplicar um corretivo”. A promotora, que não atendeu à reportagem, não explica na denúncia como chegou à conclusão de que o objetivo, desde o início, era matar os jovens.
O juiz Oliveira lembrou, porém, que sempre houve a desconfiança de o tenente ter feito contatos telefônicos com os traficantes. Ele autorizou a quebra de sigilo telefônico durante as investigações, mas até ontem se desconhecia o resultado.
O magistrado revelou, porém, que no Exército há ainda a preocupação em entender como o tenente entrou com um caminhão militar na favela e conseguiu sair ileso, sem ser rechaçado. A 7ª Vara Federal do Rio, onde os militares também respondem por homicídio, terá de ouvir as testemunhas de acusação por videoconferência.
A decisão é da juíza Andrea Cunha Esmeraldo. Ela havia determinado a suspensão dos depoimentos das testemunhas, atendendo ao pedido da advogada do soldado Rodrigues, Kenya de Souza, que queria a presença de seu cliente no interrogatório.
Fonte: Tribuna da Imprensa



