A Unasul (União de Nações Sul-americanas) estudará nesta quinta-feira, em uma reunião de chanceleres, a possibilidade de constituir uma comissão de países da região que acompanhem o diálogo político entre a Venezuela e a Colômbia.
Os dois países protagonizam uma crise desde que a Venezuela decidiu romper relações com Bogotá diante da denúncia de que abriga guerrilheiros colombianos em seu território.
O ministro de Relações Exteriores equatoriano, Ricardo Patiño, disse em uma entrevista ao canal Telerama que se trata de criar um ambiente de confiança entre os dois países, que permita solucionar as diferenças.
Patiño destacou a importância da reunião em Quito e disse que o objetivo é encontrar mecanismos indispensáveis para que a Venezuela e a Colômbia “possam sentar-se à mesa e conversar, com o apoio dos países sul-americanos”.
O Brasil, contudo, não tem expectativa nenhuma do encontro, que vê como mera estratégia para ganhar tempo até a posse do novo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, em 7 de agosto, informa a colunista da Folha de S. Paulo, Eliane Cantanhêde.
Desde a crise gerada há uma semana pelo rompimento das relações bilaterais pela Venezuela, o Brasil aposta em adiar a mediação até a posse de Santos, que apesar de ser o candidato do atual Álvaro Uribe, promete reconciliação com Caracas.
O Brasil será representado na reunião de hoje em Quito pelo secretário-geral do Itamaraty, embaixador Antônio Patriota, que se preparava ontem para ouvir mais e interferir menos, a não ser para, eventualmente, apagar incêndios.
Segundo Patiño, a Unasul “é uma mesa de irmãos” e nela é possível “recuperar os níveis de confiança” entre seus membros.
O chanceler equatoriano acrescentou que a reunião começará por volta das 15h local (17h em Brasília), mas destacou que seus colegas aceitaram uma conversa prévia com ele, para polir a reunião.
Além disso, assinalou que pedirá aos chanceleres visitantes, especialmente aos da Venezuela e Colômbia, que o diálogo “se emoldure em condições de respeito e de consideração mútua”.
Em Bogotá, o chanceler colombiano, Jaime Bermúdez, disse hoje que não tem grandes expectativas com relação à reunião de Quito, onde insistirá na necessidade de criar um “mecanismo eficaz” para que a Venezuela colabore na luta contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional (ELN).
Fonte: www.folha.uol.com.br

