o A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado retomou nesta quinta-feira, 11, a discussão em torno da licitação para a aquisição de aviões de caça para a Força Aérea Brasileira (FAB).
Até o início de setembro, representantes das três empresas finalistas do Programa FX2, serão ouvidos pelos parlamentares. Na próxima quinta-feira, será a vez dos norte-americanos da Boeing que oferecem o F-18 Super Hornet.
Os franceses da Dassault, fabricante do Rafale, serão os últimos a apresentarem sua proposta.
Na primeira audiência pública requerida pelo senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), presidente da CRE, os suecos da Saab, fabricante do caça Gripen Next Generation (NG), asseguraram a transferência completa da tecnologia da aeronave.
De acordo com o diretor-geral da Saab no Brasil, Bengt Jáner, a empresa quer uma parceria de igual para igual com a Embraer.
Ele afirmou que a empresa brasileira terá total acesso à propriedade intelectual dos projetos da aeronave e participação nas exportações, principalmente para a América do Sul.
A Saab oferece também 100% do financiamento de 15 anos para a aquisição de um total de 36 aeronaves. Os juros estão estimados em 4,5% ao ano. O primeiro pagamento seria liquidado apenas com a entrega da última aeronave.
Dan Jangblad, diretor-estratégico da empresa, afirmou que Saab e Embraer poderão comercializar em conjunto os aviões produzidos.
Segundo ele, “se o Brasil selecionar o Gripen vamos ter um filho juntos”.
Apoio
A presidente Dilma Rousseff assumiu em janeiro e decidiu adiar a conclusão do processo que poderá ser retomado em 2012.
Ela também envolveu o ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior na discussão e quer ver as vantagens comerciais para o Brasil neste negócio.
Como se trata de um empreendimento internacional caberá à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal, aprovar ou não o contrato.
Daí que o debate no Congresso ganha ainda mais importância.
Principalmente depois que o Senado decidiu reinstalar a Subcomissão Permanente para a Modernização e Reequipamento das Forças Armadas.
Para o senador Delcídio Amaral (PT-MS), a proposta sueca é a melhor do ponto de vista da transferência tecnológica. Ana Amélia (PP-RS) lembrou que seria a primeira vez que a Suécia cederia conhecimento de tecnologia de defesa para outro país.
Análise da Notícia – Marcelo Rech
As Forças Armadas há décadas vivem um processo de sucateamento. Algo inconcebível considerando a projeção internacional de um país continental como o Brasil.
O Programa FX foi iniciado no governo Fernando Henrique Cardoso que preferiu deixar a decisão para seu sucessor.
Em abril de 2003, Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou numa feira de produtos de defesa, no Rio de Janeiro, o adiamento do programa.
Na época, afirmou que precisava dos recursos para o Fome Zero, programa responsável por sua eleição.
Conversa fiada.
Os recursos para a aquisição dos caças não sai do Orçamento. Pelo menos até que os aviões sejam entregues.
A Saab, por exemplo, garante: o Brasil começa a pagar apenas depois de receber o último de um total de 36 aviões.
E um avião como este não é produzido de um dia para outro.
Concluir esse processo é mais que uma necessidade.
O ministro da Defesa, Celso Amorim, tem pela frente o desafio de retomar o assunto depois que a presidente o retirou das mãos de Nelson Jobim.
Mais que isso: tem a responsabilidade de transformar a retórica em decisão concreta. Muita gente já duvida que o negócio sai.
O Congresso, por sua vez, percebeu a força que tem e quer influenciar numa decisão que não será técnica, mas política.
Importante destacar ainda que o problema não é a falta de dinheiro. Recursos o país tem e não é pouco.
O problema está na sua aplicação, nos desvios, na má-gestão.
Forças Armadas equipadas num país com tanto potencial econômico não é luxo e deveria ser prioridade.
Fonte: www.inforel.org
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