Militares defendem continuidade da participação do Brasil em programas no exterior e apontam setores que precisam de investimentos para o sucesso dessas operações
A presença de soldados brasileiros nas ruas do Haiti, mesmo sem blindados, e o contato direto com a população local estão entre os motivos do sucesso da participação do Brasil da missão de paz da ONU naquele país, segundo afirmou ontem o general de brigada Luiz Guilherme Paul Cruz, na Comissão de Relações Exteriores (CRE).
— A intensidade de nossa presença a qualquer hora fez a diferença. Presença a pé, não de blindado — ressaltou Cruz, na última audiência do ano do terceiro ciclo de palestras sobre os rumos da política externa brasileira (2011), presidida por Fernando Collor (PTB-AL).
A boa relação dos soldados brasileiros com a população do Haiti também foi lembrada pelo chefe da Divisão de Paz e Segurança Internacional do Ministério das Relações Exteriores, ministro Norberto Moretti. Em sua opinião, a preocupação dos soldados de ir “além do uso da força” é vista com simpatia pela população e ajuda a conceder legitimidade à presença militar.
— O comportamento de nossas forças e o tipo de atividade em que elas estão envolvidas, especialmente no Haiti, vão muito além de funções militares e incluem engenharia militar, programas de redução de violência e ações de assistência direta à população. É evidente que há uma preocupação de não só interagir com a população, mas se pôr a serviço — disse.
O diretor do Instituto de Aeronáutica e Espaço, brigadeiro engenheiro Francisco Carlos Melo Pantoja, citou a importância do setor aeroespacial em programas de manutenção da paz.
— Em ambientes que são os mais diversos possíveis, necessitamos de ferramenta espacial — afirmou Pantoja, após traçar histórico das conquistas do setor aeroespacial brasileiro.
Por sua vez, o presidente da Helibras, Eduardo Marson Ferreira, lembrou a importância dos helicópteros em operações de paz e de ajuda à população civil em momentos de catástrofes naturais. Ele informou que se encontra em andamento programa conjunto das Forças Armadas brasileiras para a aquisição de helicópteros, que, a seu ver, ajudará a construir uma “indústria completa de helicópteros” no Brasil.
Cristovam Buarque (PDT-DF) defendeu a presença brasileira na Missão de Paz da ONU no Haiti. Para ele, essa presença “afirma o Brasil no cenário internacional”. Ao comentar o histórico do programa espacial feito pelo brigadeiro Pantoja, porém, Cristovam lamentou que, na mesma semana em que o Brasil celebrava a retomada do controle da favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, a China promovia sua primeira missão de acoplamento de naves no espaço. Em resposta, Pantoja observou que a China investe por ano no setor espacial o dobro do que o Brasil já investiu em toda a sua história.
Inácio Arruda (PCdoB-CE) ressaltou a necessidade de união de civis e militares em torno dos grandes objetivos nacionais. Ele citou também a importância de reconstrução do projeto do foguete brasileiro conhecido como Veículo Lançador de Satélites (VLS), interrompido após acidente ocorrido em 2003.
Fonte: http://www.senado.gov.br/
